quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Curiosidade - "Histórico Fotográfico da Máquina de Escrever"

Hoje a postagem será especial
para o meu paizão. Ele bem que
tenta... mas não consegue aceitar
muito bem essa tecnologia toda.
Computadores... internet...
não agrada muito não... Ele não
abre mão da sua velha máquina
de escrever. rs*

Bjks, Yara



Registrando aqui um

"Pequeno histórico fotográfico da máquina

de escrever e um poema do poeta brasileiro

Giuseppe Ghiaroni (22.02.1919)"



BAR-LOCK-6 EUA ca. 1885



AMERICAN index EUA ca. 1893





DISKRET GERMAN ca. 1898





BLINCKENSDERFER EUA ca. 1908





EDELMANN GERMAN ca. 1897





HAMMOND EUA ca. 1885





SMITH PREMIER Nº 4 EUA
ca. 1889





HAMMOND DOBRÁVEL ABERTA






HAMMOND FECHADA EUA ca. 1923




CORONA EUA ca. 1912 portátil







REMINGTON 6 - EUA - ca. 1897






GUNDKA GERMAN ca. 1920








KANZLER GERMAN ca. 1903




BENNETT EUA ca. 1910.




Se gostou e deseja saber mais

do assunto, visite o site:




Muito interessante este site,

vale a pena navegar nele.




A Máquina de Escrever



Mãe, se eu morrer de um repentino mal,

vende meus bens a bem dos meus credores:

a fantasia de festivas cores

que usei no derradeiro carnaval.


Vende esse rádio que ganhei de prêmio

por um concurso num jornal do povo,

e aquele terno novo, ou quase novo,

com poucas manchas de café boêmio.


Vende também meus óculos antigos

que me davam uns ares inocentes.

Já não precisarei de duas lentes

para enxergar os corações amigos.


Vende, além das gravatas, do chapéu,

meus sapatos rangentes. Sem ruído

é mais provável que eu alcance o Céu

e logre penetrar despercebido.


Vende meu dente de ouro. O Paraíso

requer apenas a expressão do olhar.

Já não precisarei do meu sorriso

para um outro sorriso me enganar.


Vende meus olhos a um brechó qualquer

que os guarde numa loja poeirenta,

reluzindo na sombra pardacenta,

refletindo um semblante de mulher.


Vende tudo, ao findar a minha sorte,

libertando minha alma pensativa

para ninguém chorar a minha morte

sem realmente desejar que eu viva.


Pode vender meu próprio leito e roupa

para pagar àqueles a quem devo.

Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa

esta caduca máquina em que escrevo.


Mas poupa a minha amiga de horas mortas,

de teclas bambas, tique-taque incerto.

De ano em ano, manda-a ao conserto

e untam de azeite as suas peças tortas.


Vende todas as grandes pequenezas

que eram meu humílimo tesouro,

mas não! Ainda que ofereçam ouro,

não venda o meu filtro de tristezas!


Quanta vez esta máquina afugenta

meus fantasmas da dúvida e do mal,

ela que é minha rude ferramenta,

o meu doce instrumento musical.


Bate rangendo, numa espécie de asma,

mas cada vez que bate é um grão de trigo.

Quando eu morrer, quem a levar consigo

há de levar consigo o meu fantasma.


Pois será para ela uma tortura

sentir nas bambas teclas solitárias

um bando de dez unhas usurárias

a datilografar uma fatura.


Deixa-a morrer também quando eu morrer;

deixa-a calar numa quietude extrema,

à espera do meu último poema

que as palavras não dão para fazer.


Conserva-a, minha mãe, no velho lar,

conservando os meus íntimos instantes,

e, nas noites de lua, não te espantes

quando as teclas baterem devagar.


Música: Trem Caipira – Vila Lobos


2 comentários:

Anônimo disse...

Prima, voce é mesmo especial! Surpreende-me, sempre! E vou me enchendo de orgulho! Te amo.
Daisy Maria

Yamar Bijoux disse...

Oi linda, Fala a verdade se essa postagem não tema cara do Vô Valdir? Tbém te amo linda! Bjks, Yara