O amor é a maior de todas as virtudes. É o mais santo de todos os remédios. É a cura e a esperança, é a segurança, é o bem que mais precisamos, o mais procurado e, paradoxalmente, o mais temido dos sentimentos. O amor nos desarma e nos deixa acessíveis ao outro. Por essa razão temos certas reticências em relação a determinadas pessoas. Passar por cima do feio, do que não gostamos, não aprovamos exige de nós um coração aberto e sem reservas.
Difícil amar pessoas amargas, que possuem corações com portas e janelas fechadas. Difícil ir além do sentimento humano e alcançar o sentimento dos anjos, pegar nos braços quem não amamos de abraço sincero sem medo de rejeição. Portanto, é isso que Deus deseja de nós, porque se agimos de forma a negar ao nosso coração o que a ele parece natural, nos tornamos pessoas iguais, ou pelo menos no mesmo caminho que tanto queremos evitar.
As pessoas com o coração aberto estão além da maioria das pessoas. Elas alcançam bênçãos, porque são canais de bênçãos. Elas possuem um olhar sereno e mesmo quando as marés voltam conseguem avistar o mais nítido e promissório horizonte, que representa para elas a felicidade plena, a coroa da vida. (L.T.)
Mas nunca se esqueça,
Jesus Te Ama!
"Ame como se o outro fosse você"
(Letícia Thompson)
Se o amor fosse bastante em cada coração, todos os males do mundo acabariam. Cada um olharia o outro como se estivesse se olhando no espelho e teria tanta compreensão e compaixão como se estivesse agindo por si mesmo.
As asperezas da vida tornam as pessoas duras, amargas. E o pior é que nem sempre elas querem se livrar dessa carga que as tornam com o andar pesado e a visão do futuro vaga e obscura.
Há pessoas que temos dificuldade em amar. Difícil admitir, pois fomos feitos e criados para amar o próximo sem querer saber o que se esconde por detrás de seu passado e o que vai na sua alma.
Cada um tem sua história, seus espinhos e sua cruz. Cada um também tem sua beleza, talvez apagada por acontecimentos, envelhecida por esperas que nunca tiveram fim e amargas pelo fel que a vida derrama vez ou outra.
Os altos e baixos da vida existem para todo mundo. Mas é quase sempre, para um e para outro, os baixos que marcam mais, os que definem a trajetória, marcam a vida inteira. E quando olhamos para uma pessoa assim cheia de cicatrizes, como rosas secas e sem perfume, a rejeitamos porque não queremos ficar iguais a ela.
Portanto... uma auto-análise poderia revelar o quanto de maneira surpreendente nos tornamos iguais às pessoas que rejeitamos exatamente por recolhermos no nosso coração os mesmos sentimentos de amargura, desafeto, rejeição.
Ame cada pessoa como se para você ela estivesse acabando de nascer e seu coração não estivesse cheio de pré-julgamentos.
Ame como se passassem uma borracha sobre seus erros e conseguissem ver através de olhos de amor, apenas o bonito que há dentro de você.
Ame como quem ama aquela flor que atravessou sol e chuva e sobreviveu, apesar de tudo.
Mas vale pela leitura, um tanto curiosa e bem interessante.
Yakutsk
A cidade mais fria do mundo
A 5ºC negativos o frio pode ser refrescante.
A 20ºC negativos a umidade no nariz se congela e fica difícil não tossir.
A 35ºC negativos a pele exposta ao ar fica dormente e a necrose é um risco.
E a menos 45ºC até usar óculos fica complicado. O metal gruda no rosto e na orelhas e rasga pedaços da pele quando você decide tirá-los.
Sei disso porque acabo de chegar a Yakutsk, lugar onde os amistosos nativos me alertaram para não usar óculos ao ar livre. Yakutsk é uma cidade remota na Sibéria Oriental (população: 200 mil), famosa por aparecer no clássico jogo de tabuleiro Risk (versão do War) e por deter a fama de ser a cidade mais fria da Terra.
Em Janeiro a média fica em torno de 40ºC negativos. A névoa que cobre a cidade restringe a visibilidade a 10 metros. Moradores, em pesados casacos de pele, passam pela praça central, adornada por uma árvore de Natal congelada e uma estátua de Lênin.
Logo descobri que ali, temperaturas na casa dos 40ºC negativos são tidas como “frio, mas não muito frio”. Aqui as pessoas aguardam os ônibus.
Sendo assim, antes de me aventurar pela primeira vez nas ruas de Yakutsk, me encapotei com toda uma mala de roupas. Eis o que estou vestindo: um par de meias de algodão com um par de meias térmicas por cima; um par de botas; ceroulas térmicas; uma calça jeans; uma camiseta térmica; uma camiseta de mangas compridas; um suéter justo de caxemira; um abrigo esportivo; um casaco acolchoado de inverno com capuz; um par de luvas finas de lã (para que eu não exponha a pele quando tirar a luva externa para fazer fotos); um par de luvas de lã; um cachecol de lã; e um boné, também revestido em lã.
Saindo do quarto como se fosse o boneco Michelin, e já suando por causa do sistema de aquecimento do hotel, decido que estou pronto para encarar Yakutsk. Caminho porta afora e... bem... não acho tão ruim.
A pequena fresta do meu rosto que está exposta registra o ar frio, mas no geral a sensação é boa... Até agradável. Desde que você esteja vestido corretamente, penso eu, não é assim tão ruim. Em poucos minutos, porém, o clima gélido passa a se impor. A pele exposta começa a dar pontadas e depois fica adormecida, o que aparentemente é perigoso, porque significa que o fluxo de sangue para o local parou.
Então o frio penetra pela dupla camada de luvas e congela meus dedos. O boné e o capuz tampouco são páreo para os 43ºC negativos e minhas orelhas começam a pinicar. Em seguida as pernas sucumbem. Finalmente me vejo com dores agudas pelo corpo todo e tenho de voltar a um ambiente fechado. Olho no relógio: fiquei ao ar livre por 13 minutos!
Yakutsk é a capital de Yakutia, região que abrange mais de 2.6 milhões de quilômetros quadrados e onde vivem menos de 1 milhão de pessoas. A cidade fica a seis fusos horários de Moscou, mas a viagem leva seis horas num precário avião Tupolev. A passagem custa pelo menos RS 1,8 mil ida e volta, uma enorme quantia num país em que o salário médio é de RS 930 por mês.
Não há ferrovia até Yakutsk. As outras opções são uma viagem de 1,6 mil quilômetros de barco subindo o rio Lena, nos poucos meses do ano em que ele não está congelado, ou então a "estrada dos Ossos", uma rodovia de 2 mil quilômetros construída por prisioneiros do Gulag (o sistema penal soviético).
Em Yakutsk a maioria dos carros é importada do Japão, de segunda mão, que aparentemente, resistem melhor ao frio do que os veículos russos tradicionais. Ainda assim, os moradores costumam deixar o motor funcionando, se vão parar apenas por meia hora.
E alguns deixam-no ligado o dia inteiro, durante o expediente de trabalho, para garantir uma temperatura minimamente tolerável na volta para casa. A fumaça dos escapamentos contribui para a névoa que paira sobre a cidade.
A região foi inicialmente conquistada pelos russos na década de 1630. No século XIX era usada como prisão aberta para dissidentes políticos. Anton Chekhov, em sua Jornada de 1890 pela Sibéria, pintou um quadro sombrio da vida dos prisioneiros dali. "Eles perderam todo o calor que já tiveram", escreveu. "As únicas coisas que lhes restam na vida são vodca, vagabundas, mais vagabundas, mais vodcas... Não são mais seres humanos, mas bestas.” Lenin e Stalin foram dois dos presos políticos exilados em Yakutsk.
Lenin Square, Yakutsk/Yakutia - Às 17h30 - 40ºC negativos.
A região é rica em ouro e diamantes, razão pela qual os soviéticos decidiram transformar Yakutsk num importante centro regional, primeiro com o sistema de trabalho forçado do Gulag, depois colonizando a região com milhares de voluntários em busca de aventura, melhores salários e a chance de construir o socialismo no gelo. A mega-empresa Alrosa, responsável por 20% da oferta mundial de diamantes brutos, tem sua sede na região. Com o tempo Yakutsk virou uma cidade de verdade, com hotéis, cinemas, uma ópera, universidades, entrega de pizza e até zoológico.
Apesar de os nativos manterem estoicamente seus afazeres e de crianças brincarem na neve da praça central, percebo que preciso de um táxi para continuar minha exploração.Os 13 minutos que passei ao ar livre me deixaram sem fôlego, praguejando e cheio de dores, o meu rosto tão vermelho que parece que acabo de voltar de uma semana no Caribe. Desabo na cama do hotel e preciso de meia hora para voltar a sentir meu corpo. A parte mais desagradável começa 15 minutos depois, quando as pernas, de volta à temperatura habitual, sentem uma cãibra quente sendo irradiada de dentro para fora, e todo o corpo começa a coçar.
Vou ao mercado, cheio de gente vendendo peixe, porcos e coração de cavalo. Tudo congelado. “É claro que faz frio, mas você se acostuma.” Diz Nina, uma yakut, que passa oito horas por dia de pé, na sua banca de peixes. Os seres humanos se acostumam com qualquer coisa.
Mas, ainda assim, o nível de resistência é difícil de compreender.
Os operários continuam trabalhando na construção civil, até os 50ºC negativos. Abaixo disso, o metal se torna quebradiço. As aulas só são suspensas quando o termômetro cai abaixo dos 55ºC. Embora o Jardim de Infância feche com 50ºC negativos.
Quase sem exceção, as mulheres se cobrem da cabeça aos pés com peles, muitas delas produzidas ali mesmo. Nesse clima a ética pouco importa. 'Vi na televisão que na Europa existem lunáticos que dizem que não é legal usar pele porque eles amam os animais', diz Natasha, uma moradora de Yakutsk que veste um casaco de coelho e um encantador chapéu de raposa ártica. 'Deveriam vir para cá para ver se ainda se preocupam tanto com os animais. Aqui você precisa vestir peles se quiser sobreviver.'
(Shaun Walker escreveu esta reportagem para o jornal britânico The Independent, a Revista da Semana e para o NeoSeganet Reporter.)
Um Vídeo Interessante
"My city Yakutsk"
Artigo recebido por e-mail de alguns amigos. Música: Tchaikovsky - O Lago dos Cisnes.
Os sintomas são conhecidos: o coração dispara, as mãos tremem e a pessoa sofre um "embrulho" no estômago.
Caso você sinta muita vergonha ou uma ansiedade excessiva na presença de outras pessoas, relaxe, você não está sozinho.
Tudo isso é normal e pode até ser bom para a sua sobrevivência, mas quando esses sentimentos ficam fora de controle, é melhor procurar auxílio médico.
A Fobia Social, como é conhecido esse distúrbio, atinge cerca de 15% da população e é considerado o terceiro transtorno psiquiátrico mais comum, principalmente nas grandes cidades.
Além de trazer uma série de prejuízos para a vida das pessoas, como o isolamento, inadequação em relacionamentos amorosos e profissionais, a doença pode levar à depressão e às crises de pânico.
Segundo o psiquiatra João Artur Borges Wielckerman, a Fobia Social pode ter início em qualquer idade e afeta, indistintamente, homens e mulheres, sem distinção de classes sociais ou profissões.
Apesar de ser mais comum nos homens, são as mulheres que, como sempre, procuram mais o auxílio de um especialista. "Ainda mais nos dias de hoje em que elas estão mais expostas, com novas responsabilidades", reconhece o médico. Para se tornar, na realidade, uma doença esse sentimento deve ser persistente e irracional, fazendo com que a pessoa opte por um comportamento arredio, dificilmente se relacionando com outras pessoas.
Limitações
O psiquiatra esclarece que é algo como um "eu acho que eles estão falando alguma coisa de mim". Por isso, a pessoa sofre por antecipação, com medo excessivo de ser rejeitada.
A fobia mais perceptível é o medo de falar em público, que pode ser controlada por meio de terapia cognitiva comportamental em apenas alguns meses. Mas, quando se torna generalizada, ou seja, quando essa super timidez causa limitações significativas no desempenho social e profissional, é necessário um tratamento psiquiátrico que inclui o uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos aliados à psicoterapia.
Com isso, é possível controlar a ansiedade e melhorar a qualidade da vida do portador. "Só que esse tratamento não tem prazo para terminar", admite o médico. "Vai depender de cada caso", completa o especialista.
O importante, na visão de Wielckerman, é que os tratamentos tornem a pessoa mais produtiva e alegre possibilitando o alívio do sofrimento e a retomada do paciente a uma vida normal. Não existe uma causa única para a Fobia Social.
As evidências apontam para uma variedade de fatores, entre eles, os biológicos (desequilíbrio na serotonina, substância neurotransmissora) e ambientais, provocados por vivências traumáticas, entre as quais, a convivência com pessoas ansiosas, ambientes tumultuados ou repressivos.
Mudanças possíveis
Por ser uma doença que causa sofrimento e limitações significativas, o médico afirma ser de suma importância que tanto seus portadores como familiares e amigos conheçam suas manifestações e os diferentes níveis de gravidade.
É comum o paciente buscar refúgio no álcool e drogas para superar a fobia, pois se sente desqualificado. Essa situação pode se tornar emergencial, já que é grande o risco de suicídios entre os portadores da doença.
Nada, porém, que não possa ser mudado com ajuda. E nesse caso, a psicoterapia é o recurso mais procurado. "O objetivo do tratamento é desenvolver melhor seu relacionamento com o mundo e tentar fazer parar de crescer a bola de neve de ansiedade, elevando a auto-estima", diz o médico, ao explicar que há tímidos e tímidos.
Entre eles, os que conseguem se destacar nos estudos e os que, por vergonha de perguntar e tirar dúvidas, não acompanham seus colegas e acabam abandonando os estudos.
Há, também, os indivíduos que, mesmo muito tímidos, conseguem sucesso profissional em áreas que não exigem relações públicas, enquanto amargam fracassos na vida amorosa.
Buscar ajuda é fundamental
Vista tardiamente pela medicina e pela psicologia como uma doença, verdadeiro distúrbio ansioso, a Fobia Social é uma condição tratável. De acordo com André Astete, coordenador do ambulatório de ansiedade e depressão do Hospital Vita Curitiba diz que psicólogos de linha cognitivo-comportamental desenvolvem programas que vão do treino de habilidades sociais (como iniciar e terminar uma conversa, por exemplo), passando pela exposição/habituação a situações sociais e por fim desenvolvendo maneiras de lidar com preocupações fantasiosas.
(Fonte: Paraná Online)
Artigo: Recebido de uma amiga por e-mail - Achei interessante, registrei.
De acordo com estimativas mais de 500 mil brasileiros devem comprar neste ano algum presente para o Dia dos namorados. Existem diferentes versões a respeito da origem deste dia. Mas, certamente quem inventou o dia dos namorados não foram às pessoas apaixonadas. Aliás, todos os solteiros estão aí a nos lembrar que o dia 12 de junho, embora coincida com a véspera de um santo relacionado com “casórios”, é uma data puramente comercial. Independentemente, deste ponto de vista influenciado por certo despeito, perdoe-me os solteiros, o Dia dos namorados é uma data que ainda inspira muitos casais. Para quem já está acompanhado é um dia para celebrar o amor e para quem ainda procura um par é um dia para investir. E tudo está valendo. Desde as tradicionais cantadas às estratégias mais ousadas.
Na maior parte do mundo o dia dos namorados é tradicionalmente comemorado como Dia de São Valentim, no dia 14 de fevereiro. No entanto, no Brasil celebramos anualmente no dia 12 de Junho, exatamente na véspera do dia de um outro santo da igreja católica chamado santo Antônio, também conhecido por seus ‘méritos’ enquanto casamenteiro. Este santo português tem sua tradição consagrada como casamenteiro, provavelmente devido suas pregações a respeito da importância da união familiar em sua época.
Contudo, o fato dessa celebração acontecer em meados do mês de Junho não está relacionado com o santo padroeiro dos casamentos, mas antes com uma ação publicitária que retoma ao ano de 1949. Para melhorar as vendas de junho, mês considerado o mais fraco para o comércio, um publicitário de nome João Dória, ligado à Agência Standard Propaganda, lançou a pedido da extinta loja Clipper, uma campanha para melhorar as vendas de Junho. A campanha, com o apoio da Confederação do Comércio de São Paulo, consistiu na mudança do dia de São Valentim para o dia 12 de Junho, com o slogan: “NÃO É SÓ DE BEIJOS QUE VIVE O AMOR”.
A propaganda surtiu efeito e as vendas subiram consideravelmente e a Agência Standard ganhou o prêmio de agência publicitária daquele ano. A data foi criada pelo comércio paulista e depois assumida por todo o comércio brasileiro para reproduzir o mesmo efeito do Dia de São Valentim, equivalente nos países do hemisfério norte, para incentivar a troca de presentes entre os "apaixonados".
E é por esta razão que o Brasil não segue o calendário internacional que comemora o Dia dos Namorados no dia de São Valentim. Desde então, 12 de junho se tornou uma data especial, unindo ainda mais os casais apaixonados, com direito a troca de presentes, cartões, bilhetes, flores, bombons... E assim, junho é a época dos apaixonados presentearem seus (suas) parceiros (parceiras) com surpresas agradáveis como demonstração de amor e carinho, sejam elas materiais ou de qualquer outra natureza.
Autoria:Thiago de Almeida. Psicólogo. (CRP: 06/75185). Mestre pelo Departamento de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e doutorando do Departamento de Psicologia Clínica do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo.
Sou fã de Max Gehringer e não deixaria de registrá-lo aqui no meu cantinho virtual.
Bjks, Yara
"CONHECER E TRATAR COM
PESSOAS PRECISA HABILIDADE...
NÃO É PARA QUALQUER UM."
(Max Gehringer)
Durante minha vida profissional, eu topei com algumas figuras cujo sucesso surpreende muita gente.
Figuras sem um Vistoso currículo acadêmico, sem um grande diferencial técnico, sem muito networking ou marketing pessoal. Figuras como o Raul.
Eu conheço o Raul desde os tempos da faculdade.
Na época, nós tínhamos um colega de classe, o Pena, que era um gênio. Na hora de fazer um trabalho em grupo, todos nós queríamos cair no grupo do Pena, porque o Pena fazia tudo sozinho. Ele escolhia o tema, pesquisava os livros, redigia muito bem e ainda desenhava a capa do trabalho - com tinta nanquim. Já o Raul, nem dava palpite. Ficava ali num canto, dizendo que seu papel no grupo era um só, apoiar o Pena. Qualquer coisa que o Pena precisasse, o Raul já estava providenciando, antes que o Pena concluísse a frase.
Deu no que deu. O Pena se formou em primeiro lugar na nossa turma. E o resto de nós passou meio na carona do Pena - que, além de nos dar uma colher de chá nos trabalhos, ainda permitia que a gente colasse dele nas provas.
No dia da formatura, o diretor da escola chamou o Pena de 'paradigma do estudante que enobrece esta instituição de ensino'.
E o Raul ali, na terceira fila, só aplaudindo. Dez anos depois, o Pena era a estrela da área de planejamento de uma multinacional.
Brilhante como sempre, ele fazia admiráveis projeções estratégicas de cinco e dez anos.
E quem era o chefe do Pena? O Raul.
E como é que o Raul tinha conseguido chegar àquela posição? Ninguém na empresa sabia explicar direito. O Raul vivia repetindo que tinha subordinados melhores do que ele, e ninguém ali parecia discordar de tal afirmação. Além
disso, o Raul continuava a fazer o que fazia na escola, ele apoiava.
Alguém tinha um problema?
Era só falar com o Raul que o Raul dava um jeito.
Meu último contato com o Raul foi há um ano. Ele havia sido transferido para Miami, onde fica a sede da empresa.
Quando conversou comigo, o Raul disse que havia ficado surpreso com o convite.
Porque, ali na matriz, o mais burrinho já tinha sido astronauta.
E eu perguntei ao Raul qual era a função dele.
Pergunta inócua, porque eu já sabia a resposta.
O Raul apoiava. Direcionava daqui, facilitava dali, essas coisas que, na teoria, ninguém precisaria mandar um brasileiro até Miami para fazer.
Foi quando, num evento em São Paulo, eu conheci o Vice-presidente de recursos humanos da empresa do Raul.
E ele me contou que o Raul tinha uma habilidade de valor inestimável:... Ele entendia de gente.
Entendia tanto que não se preocupava em ficar à sombra dos próprios subordinados para fazer com que eles se sentissem melhor, e fossem mais produtivos.
E, para me explicar o Raul, o vice-presidente citou Samuel Butler, que eu não sei ao certo quem foi, mas que tem uma frase ótima:
'Qualquer tolo pode pintar um quadro, mas só um gênio consegue vendê-lo'.
Essa era a habilidade aparentemente simples que o Raul tinha, de facilitar as relações entre as pessoas.
Perto do Raul, todo comprador normal se sentia um expert, e todo pintor comum, um gênio. Essa era a principal competência dele.
Há grandes Homens que fazem com que todos se sintam pequenos.
Mas, o verdadeiro Grande Homem é aquele que faz com que todos se sintam Grandes.
"Pequenas demostrações de meus trabalhos com bijus"
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