quarta-feira, 30 de julho de 2008

Datas Comemorativas - Aniversário de Mário Quintana


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Comemorando o dia de nascimento de
Mário Quintana, coloco aqui uma
mensagem especial para registrar
esta data. Sou super fã deste homem!

Bjks, Yara




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Mário de Miranda Quintana nasceu em Alegrete, no dia 30 de Julho de 1906. Pela comemoração do centenário de seu nascimento, O anjo poeta, como era chamado, deve estar rindo de tanta pompa que está se criando em torno da data. Quintana sempre foi uma figura simples. De hábitos e frases. Sua poesia era simples e direta, mas cheia de subjetividade.

Talvez a principal marca deixada pelo poeta tenha sido justamente sua humildade. Não era raro vê-lo caminhando pelas ruas do centro da cidade, passos lentos, sorriso fácil, conversando e cumprimentando a todos. Quintana era alegretense, mas fundiu-se tanto à capital gaúcha que fica difícil dissociar sua imagem e sua poesia das ruas e paralelepípedos de Porto Alegre. Como diria o próprio Mário:

Sinto uma dor infinita

Das ruas de Porto Alegre

Onde jamais passarei...

A identificação com a cidade sempre esteve presente em sua vida. Chegou em Porto Alegre aos 13 anos para estudar, em regime de internato, no Colégio Militar de Porto Alegre. E é ali que começa a nascer seu namoro com as palavras. Na revista Hyloea, do próprio Colégio, Quintana dá seus primeiros passos como escritor.

Cinco anos depois vai trabalhar como caixeiro (atendente) na Livraria do Globo, contrariando seu pai, que queria ver o filho doutor. Ali se estabelece uma relação longa e riquíssima para os dois lados. Porém, ele logo voltaria à fronteira, para trabalhar na farmácia da família. No espaço de um ano, Quintana perde a mãe e o pai, permanecendo em Alegrete até 1929. No ano seguinte, se deu a sua estréia na redação do jornal O Estado do Rio Grande.

Ao voltar para Porto Alegre, Quintana passa a se dedicar por completo à literatura, traduzindo grandes autores universais para a Livraria do Globo. Em 1940, é publicada A Rua dos Cataventos, o primeiro de muitos livros que marcariam sua obra.

Mário Quintana sempre foi considerado um gênio da poesia. Seu estilo simples e as imagens que criava com seus poemas continham um toque lúdico, que encantava seus leitores. Uma das facetas mais presentes na sua poesia sempre foi o “mundo mágico” que inventava com as palavras. Não é a toa que as crianças mereceram atenção especial do poeta, através de vários livros dedicados ao público infantil.

Quintana foi, sobretudo, poeta, mas escreveu em prosa, traduziu livros, assinou colunas em jornais (especialmente o Caderno H, no Correio do Povo, por muitos anos) e foi um grande frasista. Teve também sua obra traduzida e publicada no exterior, além de ter participado de várias antologias, no Brasil e fora dele.

Por ter sido o que foi, por ter escrito o que escreveu, Quintana é eterno. O anjo poeta deve andar por aí, passeando pelo centro da cidade e dizendo baixinho:

Todos esses que aí estão,

Atravancando meu caminho,

Eles passarão,

Eu passarinho...



Mário por ele mesmo


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Nasci em Alegrete, em 30 de julho de 1906. Creio que foi a principal coisa que me aconteceu. E agora pedem-me que fale sobre mim mesmo. Bem! Eu sempre achei que toda confissão não transfigurada pela arte é indecente. Minha vida está nos meus poemas, meus poemas são eu mesmo, nunca escrevi uma vírgula que não fosse uma confissão. Ah! mas o que querem são detalhes, cruezas, fofocas... Aí vai! Estou com 78 anos, mas sem idade. Idades só há duas: ou se está vivo ou morto. Neste último caso é idade demais, pois foi-nos prometida a Eternidade.

Nasci no rigor do inverno, temperatura: 1grau; e ainda por cima prematuramente, o que me deixava meio complexado, pois achava que não estava pronto. Até que um dia descobri que alguém tão completo como Winston Churchill nascera prematuro - o mesmo tendo acontecido a sir Isaac Newton! Excusez du peu... Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz. Dizem que sou tímido. Nada disso! sou é caladão, introspectivo. Não sei porque sujeitam os introvertidos a tratamentos. Só por não poderem ser chatos como os outros?

Exatamente por execrar a chatice, a longuidão, é que eu adoro a síntese. Outro elemento da poesia é a busca da forma (não da fôrma), a dosagem das palavras. Talvez concorra para esse meu cuidado o fato de ter sido prático de farmácia durante cinco anos. Note-se que é o mesmo caso de Carlos Drummond de Andrade, de Alberto de Oliveira, de Erico Verissimo - que bem sabem (ou souberam) o que é a luta amorosa com as palavras.

(Texto escrito pelo poeta para a revista Isto É de 14/11/1984)
















Vídeos que valem a pena assistir:










Um Site que vale a pena navegar:
Fontes:
Música:
Astor Piazzolla - Adios Nonino

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UM GRANDE VIVA PARA ELE!!!



Um comentário:

Anônimo disse...

Ya,
que beleza a homenagem ao M. Quintana! Linda! Nunca consegui gostar de poesia - e não faltou esforço - mesmo sendo apaixonada e fanática por todo tipo de prosa. Mas, acho, e isso vem vindo pouco a pouco, à medida que vejo pingada alguma pequena coisinha do M. Quintana, que, finalmente, graças a ele, estou gostando e descobrindo a beleza da poesia. Ele é lindo.
Beijão.
Tia Nice.