quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

"Um texto para reflexão" - "Fobia Afetiva"



"Fobia Afetiva"





Ela é linda! Alta, loira, já foi modelo, capa de revista, gostosa, formou-se, fala fluentemente inglês, alemão, francês e mandarim. Logo que se formou, há alguns anos, foi contratada e hoje tem um bom salário. Adora ler e assistir a bons filmes. É inteligente, carinhosa, atraente e fogosa. Sua vida profissional e familiar são exemplares, porém sua vida afetiva é um genuíno caos.

Ela não arruma namorado, embora faça tudo que os sagrados livros de auto-ajuda ensinem. Santo Antônio, de castigo, pendurado no poço da fazenda, já fez até aniversário. E nada! A praga do namorado não vem. Amigas bem mais feias, "até a gordinha da vizinha" já se casou. Ela, nada. Encalhada, chupa dedo. É uma praga ficar pra "titia".

Fez plástica, pôs silicone, mudou o guarda-roupa centena de vezes, foi a todas as boates, fez todos os cursos de pompoat imagináveis, viajou, e nada de achar seu par perfeito. O máximo que conseguiu foi uma paquerinha mixuruca, um cara que preferiu a morena de aparelho nos dentes com elástico colorido no lugar dela.

O que eu tenho de errado? Indaga-se a jovem mulher, desesperada por não conseguir resolver sua vida afetiva.

Na atualidade existem muitas pessoas que vivem esse conflito de desejar, querer encontrar um parceiro, pessoas que têm um bom perfil para se relacionar, mas... nada.

Quando o mundo todo está errado, quando tudo que se tenta não funciona, o problema não é do mundo mas do próprio indivíduo, especialmente quando o que está em pauta diz respeito a relacionamentos afetivos. O que ocorre na maior parte desses casos liga-se diretamente a um fenômeno moderno chamado fobia afetiva. Esta fobia tem várias vertentes:

1) Excesso de expectativa - Imensidão de características que o outro deve ter para que se possa iniciar um namoro. Trata-se de uma dinâmica psíquica que se liga diretamente a alta ansiedade, ao excesso de cobrança e fantasia, uma auto-imagem distorcida e pouca tolerância à frustração. Pessoas que criam a própria vida como um script e coitado daquele que não o seguir corretamente... Certa vez,atendi uma moça para quem pedi que fizesse uma lista das características que gostaria de encontrar em um rapaz com quem gostaria de se relacionar. Na sessão seguinte ela apareceu com uma relação de 428 itens que um candidato deveria ter para tentar conquistar a referida moça. Ela vivia presa a uma série de fatores superficiais e com isto inviabilizava todos seus pretendentes.

2) Escolhas erradas de parceiros inviáveis - Na atualidade é comum moças e rapazes criarem namoros virtuais, o que, de certa forma, garante a segurança, mas aumenta a frustração e a carência. Seja no virtual, seja no real, o fenômeno por trás disso tudo é a escolha de quem não pode se relacionar genuinamente, quem está longe,é compromissado. São paixões utópicas, semelhantes à de crianças, por vezes não correspondidas, mas paixões seguras, ou com menor risco. Certa feita, atendi uma mulher jovem que namorava um rapaz na Itália e que, após 4 anos de namoro o conheceria pessoalmente. A ansiedade era tamanha que a paciente adoeceu: gastrite, úlcera, problemas de pele, tosse nervosa... Tudo ligado ao fato de ter de viver na realidade o que viveu no virtual;

3) Necessidade de encontrar o relacionamento certo, não querendo sofrer, ter uma relação com garantias exatas o que na prática não existe - A pessoa com esta dinâmica por vezes se boicota, fugindo a cada dificuldade de convívio natural, a qualquer relacionamento. Nesses casos, o medo torna-se maior que o amor e o desejo.

Em uma sociedade pautada pelo medo é natural que nos relacionamentos interpessoais isso se reflita diretamente, sobretudo em relacionamentos amorosos. Quando um indivíduo pauta sua vida pela insegurança e pelo medo, a desconfiança, o medo de traição, tudo isso torna-se agente de desvalorização tanto do parceiro quanto do próprio indivíduo, o que, invariavelmente, conduz à falência do relacionamento, ou vira uma paquera na qual rapidamente o candidato a namorado(a) desanima. Assim a fobia afetiva traduz se em um auto boicote, no qual a sedução é vivida de forma inversa, repelindo quem possa ter interesse.

O medo traduz-se na falta de amor próprio e, inconscientemente, na abdicação da felicidade. Tais indivíduos com fobia afetiva, embora tenham um discurso, na prática não sabem como se relacionar, e vivem de sonhos...
Para sair deste quadro, que pode tornar-se eterno, faz-se necessário um profundo trabalho de reestruturação da personalidade. É a reestruturação de toda a estrutura afetiva de um indivíduo. Um trabalho profundo ligado ao inconsciente.

O medo que não é combatido congela a pessoa, paralisa qual uma maçã encantada, gerando um sono eterno.

(Fonte:
http://www.olhosalma.com.br)






Música: Enigma & Enya - Celtic Trance



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